Impressão
Vivia tendo ideias geniais das quais se esquecia.
Era acometido por raios de inspiração nos momentos mais inconvenientes: um átimo antes de cair no sono, durante uma trepada com a esposa, sentado na privada. Eram todas ideias boas. Ideias que poderiam mudar sua vida. Talvez mudar o mundo. Certamente lhe render muito dinheiro. Quem sabe um Nobel. Mas sempre que podia analisar-lhes com mais detalhes, já as havia esquecido.
Resolveu então comprar um bloco de notas. Passou a carrega-lo no bolso, levar para o banheiro, deixar no criado mundo. Assim no momento em que uma nova ideia surgisse poderia anota-la, garantindo que não se perdesse.
Nunca mais teve uma daquelas ideias.
Morreu frustrado, sem ter certeza de que seu estoque de boas ideias havia acabado justo no momento em que decidira adquirir o bloquinho ou se, na verdade, nunca tivera, de fato, boas ideias e que tudo não passara de impressão.

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