Acho
Que estourei meu tímpano.

Esse ano o Jiu-Jitsu já me deu:

Acabou que não cheguei às quatorze horas. Acordei muito cedo e quando voltei da rua cochilei, sem almoçar. Só despertei em cima da hora, e tive que encontrar minha mãe na rua.
Às 14:25 eu tava no consultório do senhor Massumi.
Era só uma salinha de espera, sem atendente, sem revistas pra ler, com duas cadeiras, e um aviso “Aguarde” colado na parede. Pensei em procurar uma campainha ou bater na porta, mas antes que eu pudesse me decidir a porta se abriu e revelou um senhor japonês baixinho, de cabelos e roupas brancas, com um olhar severo no rosto.
- Senhor Massumi? To atrasado alguns minutos, me desculpe …
- QUATORZE E VINTE E SETE!
- Ahn?
- QUATORZE E VINTE E SETE! Atlasou vinte e sete minutos! Não bom!
- Ahn, desculpa, eu posso voltar outra hora se o senhor preferir…
- Não. Você teve sorte hoje. O paciente das 15 desmarcou. – interrompeu finalizando com um sorriso.
Abriu caminho e apontou pra dentro da sala indicando que eu entrasse.
O “consultório” era bem simples. Uma mesa de massagem, alguns quadros anatômicos e certificados pregados na parede e uma mesinha ao fundo onde se sentou e mandou que eu preenchesse uma ficha com dados pessoais e informação sobre minha lesão.
Quando terminei ele conferiu e ordenou – Tira ropa.
Tirei a camisa e o sapato e fiquei só de bermuda.
- Tira ropa. Tudo. Só cueca. Só cueca.
Tirei o resto, e joguei sobre uma cadeira. Tive vontade de rir ao me visualizar sozinho de cueca com um japonês velhinho de um metro e meio de altura.
Levantou e apontou pra mesa de massagem.
Então eu deitei e fui coberto com um lençol.
Sentou-se numa cadeira colocada ao pé da mesa e me avaliou com o olhar. Em seguida sentenciou.
- TUDO TORTO. TUDO TORTO. Essa perna ta mais complida que a outra. E bacia ta torta. Massumi conserta.
Levantou-se e iniciou uma longa sessão de massagem, me apertando e esfregando vigorosamente com as pontas dos dedos, com uma força incrível pra um velhinho daquela idade.
Enquanto me massageava fomos conversando um pouco sobre a vida.
- Eu largô Japon aos 20 anos. Fui pro sul depois vim pra cá. Adivinha por que?
Disse sorrindo.
- Não sei, porque?
- Hahhh, porque será? – e começou a rir
- Emprego?
- HA! Não não não, mulher! – e desatou a rir tão sinceramente que eu também ri.
Descobri que ele trata de vários conhecidos meus, também praticantes de Jiu-Jitsu, incluindo o líder da Brazilian Top Team de Juiz de Fora.
- Muito lutador me procura. Adivinha por que?
- Uhn … não sei.
- HA! Ai é que ta. Massumi é terceiro dan de karatê, quarto dan de judô e segundo de sumô.
- Sumô? – perguntei surpreso.
- É. Sumô é o mais difícil. Deixa mãos fortes – e me apertou com força na coluna me fazendo gritar.
Como se esmagar minhas vértebras não fosse o suficiente pra comprovar sua força ele prosseguiu.
- Eu faço musculação na PUMPING. Conhece?
- Conheço.
- Massumi levanta 100 quilos naquele assim – e demonstrou o movimento do aparelho de tríceps.
- Sério?
- Verdade. E naquele de perna eu levanta 400. Tem um negão fortoooonnn que levanta menos e fica bufando. Massumi levanta e conversa com os amigos. Sem blincadeira!
- HAHAHA! – eu ri.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – ele respondeu rindo mais alto.
Depois de 45 minutos de massagem ininterrupta ele parou e disse:
- Pronto, voltei bacia no lugar. Você não torto mais. HA!
Me levantar e caminhar foi estranho. Minha postura, meu corpo, foram todos mexidos. E realmente parece que alguma coisa havia sido voltada ao lugar. Minha amplitude no pescoço melhorou imediatamente. A flexibilidade também.
O velhinho é foda e prometeu que em mais 3 seções ele me conserta todo.
Em outubro do ano passado eu resolvi tentar parar de tomar refrigerante. Na época eu tomava fácil uns 4 litros por dia. A decisão foi aleatória, queria testar minha força de vontade e controle sobre mim mesmo.
Hoje, 6 meses depois, excetuando-se uma eventual Cuba Libre, a minha decisão continua de pé.
Nunca mais tomei refrigerante e comecei a procurar eventuais substitutos mais saudáveis.
Os benefícios foram quase que imediatos. Meu desempenho cardio-vascular aumentou muito, perdi cerca de 6% de gordura, ganhei 5% de massa magra (que vem mais fácil sem a retenção de líquido causada pelo sódio) e passei a gastar menos grana.
Substituí a Coca-Cola por água, sucos, uma eventual H2OH e Chá Verde.
O chá verde tem provavelmente uma centena de propriedades medicinais. Funciona na prevenção do câncer, doenças vasculares, retardamento do envelhecimento (é antioxidante) e aumenta o metabolismo, funcionando como termogênico.
O grande problema é o gosto. Chá verde tem gosto de sola de sapato. Só que pior.
Mesmo assim eu preparava as ervas de manhã, o que rendia uns 5 copos que eu tomava com cara feia durante o decorrer do dia.
Até que encontrei isso:

Trata-se de um estrato do chá, preparado junto com casca de laranja e abacaxi. Comprei meio relutante (esse potinho custa 25 reais, enquanto um pacote de ervas custa uns 3), preparei e deixei gelando.
Quando fui tomar fiquei surpreso. Porra, é bom pracaralho.
Achei um substituto perfeito pros refrigerantes.
Acupuntura cancelada por aqueles FILHOS DE UM BANDO DE PUTAS, decidi voltar a lutar mesmo com as costas machucadas.
Preciso extravasar.
Tava relendo o post abaixo e pensando sobre largar as coisas de lado, desistir e lavar as mãos e lembrei de um diálogo engraçado que ocorreu um dia no treino de Jiu-Jitsu.
Dois amigos conversavam sobre uma confusão numa outra academia quando um falou
- Ah, depois disso eu fiz como Pilatos, lavei as mãos.
Ouvindo isso, um terceiro, aquele típico estereótipo de lutador bitolado e burrão, tentou se inteirar da conversa.
- Po, quem é esse Pilatos? Acho que conheço, é um faixa roxa da Gracie Barra?
LOL
… é o do seu próprio braço estalando.
“Dor é só a fraqueza deixando seu corpo.”
Sei, claro.
Hoje fui rei do ringue (finalizei ou raspei em 11 lutas, de 2 minutos cada, seguidas) e ouvi um dos elogios mais relevantes sobre o resultado dos meus esforços nos treinos. “Seu jogo melhorou 100 vezes depois que você botou a azul na cintura”, disse um faixa roxa que graduou comigo.
Estranhamente não to nem aí.
Foi minha primeira competição como faixa azul, após três meses de graduação. Eu já sabia que ia ser o competidor com menos tempo de azul, mas quando vi que a faixa do meu adversário estava branca de tão gasta, fiquei meio deprimido.
Ainda assim decidi que dava pra ganhar e parti pra cima.
…
Se o juiz não interrompe a luta meu braço estaria agora a caminho de São João Del Rey.
…
Obrigado a quem se lembrou e mandou mensagens na hora da luta.
…
Mês que vem tem mais **
…