O olho do leopardo
Além de ser um documentário sobre o felino mais FODA do mundo, contém uma cena de cortar o coração:
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Além de ser um documentário sobre o felino mais FODA do mundo, contém uma cena de cortar o coração:
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Eu definitivamente tenho o vizinho mais legal do mundo.
Lembram do último pití dele? Pensei que fosse um caso isolado. Um momento de explosão.
Bom, não foi:
Quem usa a grafia estória.
Ainda pior que essa aberração é cometê-la julgando-se mestre do português e conhecedor de nuances da língua.
Isso se torna ainda mais sofrível e repreensível quando trata-se de um profissional que utiliza a língua como ferramenta de trabalho.
Informem-se, por favor.
E pelo andar da carruagem tudo indica que os Hermanos nunca mais vão se juntar.
De um lado o Camelo lançou o Sou, com download gratuito de 10 das 14 faixas, o que surpreende, já que provavelmente o trauma do vazamento do Ventura ainda perdura.
A capa construtivista, o nome do álbum, o selo (Zé Pereira, do próprio Camelo) e principalmente o tom do disco, são permeados de uma pretensão cool que sempre sondou os Los Hermanos, mas que só agora ficou escancarada.
À primeira ouvida essa impressão se confirma e acaba decepcionando. Fica a impressão de que o Camelo pretende ser o novo Caetano. Marchinhas de carnaval, músicas instrumentais com versos sussurrados aleatoriamente, Dominguinhos. Quase tive uma síncope quando ouvi da participação da Mallu Magalhães. A única escolha que me agradou desde o começo foi o envolvimento do Hurtmold.
Mas ouvindo com calma o álbum acaba por se revelar agradável. A vestimenta de MPB é despida levemente quando os traços da finada banda podem ser reconhecidos. De certa maneira Sou acaba sendo uma continuação do 4, embora menos melancólico.
Do outro lado, Amarante vendo caminhando discretamente, mas muito ocupado.
Gravou algumas músicas com Devendra Banhart, lançou em seu Myspace Evaporar, com o mito tropicalista Lanny Gordin e montou uma banda com Fabrizio Moretti, baterista dos Strokes.
A banda, Little Joy, que vai lançar seu cd dia 4 de novembro, e que vai fazer um tour com a Megapuss, o projeto paralelo do Devendra, já disponibilizou duas músicas na internet.
E ouvindo a mistura irrepreensível de rock, reggae, surf rock, arranjos ao estilo Strokes e o vocal de Amarante, fica bem claro quem era responsável pelo que nos Los Hermanos.
E porque a banda se perdeu no 4.
Tempo, é de fato, uma medida relativa.
Encarar o mesmo ônibus, durante as mesmas cinco horas de viagem, no mesmo horário e no mesmo calor pode ser uma experiência diferente, dependendo da direção que você toma.
Se você está indo em direção aos olhinhos mais cheios de amor que você já conheceu, ao cheiro aconchegante de gelatina de morango, ao carinho confortante que você só reconhece poder existir quando o experimenta pela primeira vez, o tempo parece correr. Mesmo com a ansiedade. Mesmo com a saudade. É só encostar a cabeça, apagar e acordar naquela cidade desconhecida, grande, longe e com o metrô mais estranho do mundo. Mas feliz, animado e com vigor pra agüentar um baile de formatura até manhã cedo.
A volta é mais complicada. Você vem debilitado, porque deixa pra trás um pedaço de si, que foi arrancado por aquelas palavras ao pé do ouvido, na porta do ônibus. E o destino não ajuda.
Mal sento no meu lugar e já caio em uma disputa territorial com uma velha de uns 70 anos e 300 quilos sobre a divisão do encosto de braço.
- Você já tem a janela – ela me diz.
- E você já ta ocupando um pedaço do meu banco com sua bunda. Acho justo eu poder ao menos repousar meu braço em algum lugar que não seja uma parte do seu corpo.
Batalha vencida meu cochilo é interrompido pelo toque de celular dela, que berra “Like a Prayer” em último volume.
É o sol, o ônibus horrível, a velha ABISSAL com gosto musical medonho e o cansaço.
Mas hoje nada tira meu bom humor.
Juiz de Fora, e um bando de doentes que frenqeuntam a cidade, se revelaram o que há de pior em termos de pssoas.
VADIAS declaradas que abre as pernas e entregam suas bucetas sujas para o primeiro que aparecer.
DROGADOS , cocainomanos e bufam com pó no nariz pra falar que não é nada sério.
Tem também os dientes, que entram em relacionamentos bizarros, onde é comum ver alguem empalando sua namorada enquanto vocês se masturba.
Como diabos tem corage de beijar numa bca que já provou esperma de quase todo os seus ocnhediso.
Muito doente, contaminado de doença de pessoas, cuja falha de educação os transformaram nisso.
Bando de infeliz, bando de imundos e perdidos.
LOL
Eu vivo perdendo as coisas.
E se o conceito de perder coisas englobar aquelas coisas que você guardou, mas não sabe onde, minha situação atinge níveis alarmantes.
Dessa vez foi meu título de eleitor. Por razões nefastas precisarei fazer meu cadastro no INSS, e pra isso preciso desse simpático documento cujas dezenas de números sou incapaz de lembrar.
Vasculhei toda minha casa. Gavetas, envelopes, armários, minha pasta de arquivos (essa olhei por último porque, obviamente, a uso pra tudo menos arquivar coisas). Tudo sem sucesso.
Diante da situação desesperadora só me restou uma chance: a temível e hedionda gaveta Double Size da sala.
Trata-se de uma gaveta que pesa toneladas e requerer a força de 10 homens para ser aberta, onde tudo que não tem lugar é jogado sem maior cerimônia.
Vasculhei tudo, retirei todo o conteúdo, e entre ele encontrei pequenas relíquias das quais já havia me esquecido.
- Uma série de contos e poemas rabiscados em folhas de caderno, no verso das quais há equações matemáticas, fórmulas químicas e descrição do ciclo de vida das células, o que provavelmente indica que meus momentos de inspiração vieram durante alguma aula. O conteúdo desses rabiscos, obviamente, jamais será publicado aqui. É deveras embaraçoso. Mas me valeu boas risadas e lembranças, de modo que decidi guardar (na pasta de arquivos).
- Meus pôsteres do Lynch! Eraserhead (ultramente fodão e que já foi separado para ser devidamente enquadrado), Veludo Azul, Coração Selvagem e Homem Elefante (tarde demais pra um autógrafo
).
- Cartas. Cartinhas de amor pueril, cartas de amigos que nunca conheci pessoalmente e cartas de amigos que, desde aquele tempo, fazem questão de expressar sua amizade. Inestimável.
- Uma pasta contendo meu maior e mais ambicioso projeto da puberdade nerd: a crianção de uma cidade fictícia de origem italiana onde coisas estranhas aconteciam. Tá tudo lá, a história desde a colonização, os confrontos com locais, a estrutura política. Tem até uma planta da cidade com descrição detalhada de lugares importantes como boates, museus, prefeitura e edifícios comerciais. Fui um adolescente perturbado.
- Uma outra pasta com registros da minha épica de obsessão histórica e mitológica, em que passava horas na biblioteca municipal debruçado sobre livros velhos fazendo anotações sobre história e hierarquia do panteão Greco-Romano. Outra perturbação mental que na época passou despercebida.
- Fotos. Uma porrada de fotos, em sua maioria retratando um jovem gordo, careca, vestido de preto e com cara de psicótico. Nada muito diferente de hoje.
Isso tudo estava soterrado entre apostilas e papeis de escola e faculdade, os quais já foram empilhados na porta e serão oferecidos ao rapazinho que vende papeis aqui no condomínio. Aposto que lhe renderá uns 30 paus.
Às vezes me impressiono com minha generosidade.
Ah, e nada de título.
Foi só a vinda da distinta ser anunciada que um dos meus vizinhos, muito provavelmente gay e desequilibrado mental, passou a ouvir toda a sua discografia no volume máximo e em repeat.
A comoção que tomou conta do público alvo (gays, drogados, quarentonas tentando se manter jovens e menininhas cabeça de vento que não têm nem idéia de quem diabos é Madonna mas que acham legal endeusa-la) parece muito com o tipo de reação causada pela vinda de alguma atração daquelas antigas que faz os vovôs do roque se sentirem jovens de novo.
Se você quer gastar 100 reais pra ir ver a senhora idosa cujo ápice da carreira foi fazer Quem é essa garota?, rebolar e fazer trejeitos sexuais , tudo bem, eu respeito,mas, na boa, soca Like a Virgin no rabo, ok?
E mais uma coisa: toma.